ELEIÇÕES 2026

Nossa Senhora Aparecida entra no centro da disputa eleitoral após decisões de Dino e Mendonça

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Polêmica envolvendo publicação de Antônio Tabet, Flávio Bolsonaro e uma informação falsa sobre a Padroeira do Brasil provoca novo embate jurídico sobre liberdade de expressão e desinformação nas eleições de 2026.

A disputa eleitoral de 2026 ganhou um novo capítulo envolvendo religião, redes sociais e liberdade de expressão. O centro da controvérsia é uma publicação do ator e humorista Antônio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida e a circulação de uma informação falsa segundo a qual o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) teria intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.

A publicação de Tabet havia sido retirada por determinação do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No domingo (27), porém, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a decisão e determinou o restabelecimento do conteúdo.

Como começou a polêmica

Nas redes sociais, passaram a circular conteúdos relacionando Flávio Bolsonaro a uma suposta iniciativa para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil.

O candidato negou a informação e acionou a Justiça Eleitoral.

De acordo com a Agência Brasil, a decisão de Mendonça determinou a retirada da publicação de Tabet e de outros conteúdos relacionados ao episódio. O pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro apontava que a publicação reproduzia uma informação considerada inverídica e prejudicial à candidatura.

A controvérsia também foi associada a um projeto que chegou a tramitar no Congresso, mas que não comprova a existência de uma iniciativa de Flávio Bolsonaro para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.

A publicação de Antônio Tabet

Em seu perfil no X, Antônio Tabet publicou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada da frase:

“A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida.”

A publicação não mencionava diretamente o nome de Flávio Bolsonaro ou de qualquer integrante específico da família.

Esse foi justamente um dos pontos destacados por Flávio Dino ao derrubar a decisão anterior. Para o ministro, seria necessário presumir que a expressão utilizada por Tabet se referia diretamente ao candidato para caracterizar a publicação como ilícita.

Dino restabelece publicação e questiona remoção em massa

Na decisão, Flávio Dino considerou que a remoção determinada por Mendonça representava uma restrição grave à liberdade de expressão durante o processo eleitoral.

A decisão também alcançou outras publicações retiradas pelo mesmo fundamento. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil e pela imprensa, a determinação anterior envolvia 1.125 publicações.

Dino sustentou que a crítica política não deveria ser impedida por uma ordem judicial de caráter generalizante e determinou que as plataformas restabelecessem os conteúdos abrangidos pela decisão.

Liberdade de expressão não transforma acusação em fato

Apesar da decisão de Flávio Dino permitir novamente a publicação, existe uma distinção importante no debate.

Restabelecer uma postagem por entender que sua remoção violou a liberdade de expressão não significa reconhecer como verdadeira a acusação ou interpretação contida nela.

Esse é um ponto que merece atenção.

A postagem de Tabet utiliza uma expressão de forte carga política e associa uma suposta “família” a um ataque contra Nossa Senhora Aparecida. Porém, a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil foi justamente o ponto contestado durante o episódio.

Por isso, do ponto de vista jornalístico, a publicação pode ser analisada como manifestação política ou satírica, mas não deve ser apresentada como comprovação de que Flávio Bolsonaro tenha efetivamente planejado retirar Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil.

Crítica ao comportamento de Antônio Tabet

A liberdade de expressão permite críticas duras, sátiras e manifestações políticas. Entretanto, isso não elimina a responsabilidade de quem produz conteúdo com potencial de viralização.

Nesse caso, a crítica a Tabet está justamente na forma escolhida para abordar uma informação que já circulava de maneira controversa.

Ao associar a imagem de Nossa Senhora Aparecida a uma acusação política extremamente carregada, o humorista contribuiu para ampliar uma narrativa que já estava provocando forte reação nas redes sociais.

A crítica, portanto, não precisa ser direcionada ao direito de Tabet se manifestar. O questionamento está na responsabilidade sobre a forma como uma informação controversa é apresentada ao público, principalmente durante uma eleição.

A decisão judicial pode proteger a publicação contra uma remoção considerada desproporcional, mas isso não impede o público de questionar o conteúdo, sua contextualização e os efeitos políticos de sua divulgação.

Flávio Bolsonaro acusa CNBB

A polêmica ganhou outra dimensão depois que Flávio Bolsonaro afirmou que pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam participado da disseminação da informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida.

A acusação foi feita publicamente, mas, segundo reportagens publicadas neste domingo, o candidato não apresentou provas para sustentar essa afirmação.

A CNBB reagiu e negou participação na produção ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A entidade afirmou que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição.

Um episódio que mistura religião, política e Justiça

O caso revela como a campanha eleitoral pode transformar uma informação inicialmente publicada nas redes sociais em uma disputa que envolve candidatos, artistas, instituições religiosas e as mais altas cortes do Judiciário.

De um lado, está o debate sobre a necessidade de combater informações falsas durante uma eleição. De outro, está a preocupação com os limites das decisões judiciais sobre manifestações políticas e críticas publicadas nas redes sociais.

A decisão de Flávio Dino restabeleceu as publicações, mas a controvérsia permanece.

O episódio também deixa uma questão relevante para o eleitor: uma publicação pode estar protegida pelo direito à liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, ser contestada quanto à sua interpretação, contexto e base factual.

Em um período eleitoral marcado pela velocidade das redes sociais, separar fato, opinião, sátira, acusação e desinformação torna-se fundamental para que o debate público não seja conduzido apenas pela viralização de uma postagem.

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