Feira de Santana

Feira de Santana completa 193 anos: uma história construída entre a feira, a fé e o desenvolvimento

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Da antiga feira de gado e das rotas dos tropeiros a um dos principais centros urbanos e comerciais da Bahia, Feira de Santana chega aos 193 anos de emancipação política preservando suas raízes e olhando para o futuro.

Nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, Feira de Santana celebra 193 anos de emancipação política. Conhecida como Princesa do Sertão, a cidade construiu sua história a partir do encontro de caminhos, da circulação de pessoas e mercadorias e de uma atividade comercial que, desde os primeiros tempos, ajudou a definir a identidade do município.

Mas a história de Feira de Santana começou antes da emancipação.

Onde tudo começou

A formação do município está ligada à antiga Fazenda Sant’Ana dos Olhos D’Água, associada ao casal Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão. A região tinha uma posição estratégica, no encontro de caminhos utilizados por boiadeiros, tropeiros, comerciantes e viajantes que circulavam entre o sertão baiano e o Recôncavo.

A existência de água e a localização das estradas favoreceram o surgimento de um núcleo de povoamento e de uma feira livre. O comércio de gado e de outras mercadorias ganhou força e transformou o local em ponto de encontro para pessoas vindas de diferentes regiões.

A tradição religiosa também esteve presente desde os primeiros capítulos dessa história. A construção da capela dedicada a Senhora Santana e São Domingos, no século XVIII, ajudou a consolidar o núcleo que posteriormente daria origem à cidade.

18 de setembro de 1833: o nascimento político do município

O crescimento econômico e populacional levou à busca pela autonomia administrativa.

Em 18 de setembro de 1833, o município foi oficialmente instalado após ser desmembrado de Cachoeira. A solenidade marcou a instalação da vila e da Câmara Municipal, consolidando a emancipação político-administrativa de Feira de Santana.

É justamente essa data que marca atualmente o Dia da Cidade.

Existe, porém, uma diferença histórica importante: em 16 de junho de 1873, Feira de Santana foi elevada à categoria de cidade por meio da Lei Provincial nº 1.320. Durante muitos anos, essa segunda data foi associada às comemorações do aniversário da cidade. Posteriormente, o dia 18 de setembro passou a ser reconhecido como a data da emancipação política.

A feira que deu origem ao nome

O comércio foi fundamental para a identidade de Feira de Santana.

As feiras reuniam produtores, criadores, comerciantes e consumidores. O gado tinha papel central nessa movimentação, enquanto tropeiros traziam mercadorias de diferentes partes do sertão.

Com o passar dos anos, o pequeno núcleo comercial cresceu, surgiram novas ruas, estabelecimentos e áreas de comércio, transformando Feira de Santana em uma referência regional.

Essa vocação comercial atravessou gerações e permanece como uma das características mais marcantes da cidade.

A Princesa do Sertão

O crescimento de Feira chamou a atenção também fora da Bahia.

O título de Princesa do Sertão tornou-se associado à cidade e à sua importância econômica e estratégica. Segundo registro divulgado pela Prefeitura, a expressão foi utilizada por Ruy Barbosa em 1919, durante uma visita a Feira de Santana, reconhecendo a importância que o município já possuía no desenvolvimento do sertão baiano.

A posição geográfica contribuiu decisivamente para esse crescimento. Feira tornou-se um importante ponto de ligação entre diferentes regiões, fortalecendo sua atividade comercial, de serviços, transporte e posteriormente industrial.

Uma cidade marcada pela fé e pela cultura

A religiosidade também ocupa lugar importante na história feirense.

A devoção a Senhora Santana, padroeira do município, atravessa séculos. A tradição religiosa começou ainda no período de formação do povoado e permanece presente na vida cultural da cidade.

Em 1962, foi criada a Diocese de Feira de Santana. Quatro décadas depois, em 2002, a Diocese foi elevada à condição de Arquidiocese.

Além da religião, Feira construiu uma identidade cultural própria, marcada por festas populares, música, manifestações religiosas, literatura, comércio e tradições que atravessam gerações.

Uma cidade que cresceu

Dos caminhos percorridos por tropeiros às grandes avenidas, Feira de Santana passou por profundas transformações.

A expansão urbana, o fortalecimento do comércio, a instalação de indústrias e o crescimento do setor de serviços transformaram o município em um dos principais centros econômicos do interior da Bahia.

O Centro Industrial do Subaé, por exemplo, tornou-se parte importante da estrutura industrial do município, reunindo empresas de diferentes segmentos. O comércio, por sua vez, continua exercendo forte influência sobre municípios da região.

Feira também ganhou importância como ponto estratégico de transporte e integração regional, especialmente por sua ligação com importantes rodovias.

193 anos: passado, presente e futuro

Chegar aos 193 anos significa olhar para uma história que não começou em 1833, mas que encontrou naquele ano um marco decisivo de organização política e administrativa.

A Feira de Santana de hoje é muito diferente daquela pequena vila que recebia boiadeiros e tropeiros. Mas alguns elementos permanecem: o comércio, a circulação de pessoas, a diversidade cultural, a religiosidade e a capacidade de reunir diferentes caminhos.

Em 18 de setembro de 2026, a cidade celebra seus 193 anos olhando para uma trajetória marcada por transformações e desafios.

Uma história construída por gerações de feirenses e também por milhares de pessoas que chegaram de outras regiões e ajudaram a transformar o município.

Feira de Santana completa 193 anos. E a história da Princesa do Sertão continua sendo escrita todos os dias.

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