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Governo propõe ampliar tarifa social de energia para beneficiar até 60 milhões de brasileiros

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Foto: Repredução da internet

O Ministério de Minas e Energia está trabalhando em um novo projeto de lei para aumentar o número de brasileiros atendidos pela tarifa social de energia elétrica. A proposta prevê que até 60 milhões de pessoas sejam beneficiadas com isenção ou descontos significativos na conta de luz.

A minuta da proposta foi enviada à Casa Civil na quarta-feira (16) e ainda poderá ser modificada antes de seguir para votação no Congresso Nacional. A redação atual do texto, à qual o portal g1 teve acesso, traz mudanças relevantes para a política energética social do país.

Quem terá direito à nova tarifa social de energia?

Se a proposta for aprovada, famílias com consumo mensal de até 80 kWh terão isenção total da conta de energia elétrica, desde que atendam a um dos critérios abaixo:

  • Estar cadastradas no CadÚnico, com renda mensal per capita de até meio salário mínimo;

  • Serem beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada (BPC), como idosos e pessoas com deficiência;

  • Serem famílias indígenas ou quilombolas registradas no CadÚnico;

  • Morarem em áreas isoladas, fora do sistema interligado nacional.

💡 Se o consumo exceder os 80 kWh, o valor será cobrado apenas sobre o que ultrapassar esse limite. Por exemplo, se o consumo for de 86 kWh, o pagamento será referente apenas aos 6 kWh excedentes.

Desconto social para famílias com renda intermediária

Além da isenção completa para a faixa mais vulnerável, o governo pretende criar uma nova categoria de desconto social para famílias com renda entre meio e um salário mínimo por pessoa, com consumo mensal de até 120 kWh.

Nessa faixa, os beneficiários serão isentos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que responde por cerca de 12% da fatura de energia. Ou seja, o desconto nessa modalidade será proporcional à redução desse custo.

Como funciona a tarifa social atualmente?

Atualmente, a tarifa social concede até 65% de desconto na conta de luz de famílias de baixa renda. Esse percentual varia conforme o consumo mensal, sendo o maior abatimento aplicado à faixa entre 0 e 30 kWh.

Para famílias quilombolas e indígenas, o desconto pode chegar a 100% para consumos de até 50 kWh.

A regra vigente considera famílias inscritas no CadÚnico e com consumo de até 220 kWh/mês.

Quais são os objetivos do governo com a nova medida?

De acordo com o ministro Alexandre Silveira, a proposta representa uma medida de “justiça tarifária” e faz parte da reestruturação do setor elétrico. A iniciativa também busca:

  • Expandir o acesso à energia a preços justos;

  • Reduzir perdas por furtos de energia (os conhecidos “gatos”);

  • Minimizar a inadimplência;

  • Promover a abertura do mercado elétrico para que consumidores possam escolher seus fornecedores;

  • Dividir custos entre consumidores livres e regulados.

O governo projeta que, com a nova tarifa social, 16 milhões de pessoas tenham a conta de luz completamente zerada. Já o desconto social deverá alcançar cerca de 21 milhões de famílias, incluindo 8,5 milhões já cadastradas no CadÚnico.

Quanto a proposta deve custar?

A estimativa inicial do governo é que a nova política tenha um custo de R$ 4,45 bilhões, valor que será diluído entre os demais consumidores de energia. Isso deve gerar um aumento médio de 1,4% nas tarifas.

Entretanto, para equilibrar os custos, o Ministério propõe a redução de subsídios concedidos a fontes incentivadas, como energia solar e eólica, o que pode representar uma economia de até R$ 10 bilhões no longo prazo, à medida que contratos antigos forem encerrados.

Essa compensação será feita de forma gradual, mas ainda não há data definida para o início e término dessa fase de transição.

Com a reformulação da tarifa social, o governo pretende ampliar o alcance do benefício e garantir mais equidade no acesso à energia elétrica. A proposta ainda precisa passar pelo crivo do Congresso, mas, se aprovada, pode representar um alívio significativo na conta de luz para milhões de famílias brasileiras.

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