A Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana promoveu, na manhã desta segunda-feira (18), uma reunião estratégica para fortalecer o enfrentamento das arboviroses no município. O encontro reuniu representantes da Atenção Primária, Vigilância Epidemiológica, Rede Própria de Saúde, Média Complexidade, policlínicas e profissionais do Ambulatório de Infectologia.
A iniciativa teve como foco alinhar protocolos, capacitar equipes e ampliar as medidas de prevenção e assistência diante do risco de aumento nos casos de dengue e chikungunya, especialmente neste período do ano marcado pela alternância entre chuva e calor, condição que favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Durante a reunião, os profissionais discutiram fluxos de atendimento, reforço na notificação de casos suspeitos, coleta de exames laboratoriais e encaminhamento adequado de pacientes, buscando agilizar diagnósticos e fortalecer o monitoramento epidemiológico. Também foi reforçada a importância da vacinação contra a dengue, disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, além de profissionais da Atenção Básica.
A diretora da Rede Própria de Saúde, Verena Leal, destacou a necessidade de integração entre assistência e vigilância epidemiológica para evitar agravamentos dos quadros clínicos.
Segundo ela, o acompanhamento contínuo dos pacientes e a atuação conjunta das equipes são fundamentais para garantir respostas rápidas da rede municipal de saúde.
A chefe das Policlínicas e UPAs, Vanessa Braga, afirmou que a Secretaria vem ampliando as ações educativas e investindo na capacitação permanente dos profissionais da média complexidade para qualificar ainda mais o atendimento à população.
Diagnóstico precoce e notificação imediata
A referência técnica em arboviroses, Sandréa Oliveira, alertou para a importância da identificação precoce dos casos suspeitos nas unidades de saúde.
De acordo com a especialista, pacientes adultos com febre acompanhada de dois ou mais sintomas compatíveis com dengue — como dores no corpo, dor de cabeça e dor atrás dos olhos — já devem ser considerados suspeitos da doença. Nesses casos, a recomendação é realizar notificação imediata, iniciar hidratação e adotar medidas de prevenção e controle.
No caso das crianças, episódios febris também devem motivar investigação e notificação rápida.
A técnica da Vigilância Epidemiológica, Maricélia Maia, demonstrou preocupação com a subnotificação e os registros tardios da doença no município. Ela ressaltou que toda a rede de saúde precisa estar preparada para identificar rapidamente os casos suspeitos, principalmente na Atenção Primária, considerada porta de entrada do cuidado.
Município confirma circulação da dengue tipo 3
Outro ponto debatido durante o encontro foi a confirmação da circulação da dengue tipo 3 em Feira de Santana. Segundo a Vigilância Epidemiológica, seis casos já foram identificados em diferentes bairros da cidade.
Conforme explicou Maricélia Maia, os casos são considerados autóctones, ou seja, os pacientes contraíram a infecção dentro do próprio município e não possuem histórico recente de viagem.
Dados epidemiológicos
Em 2025, Feira de Santana registrou 2.393 notificações de dengue, sendo 460 casos prováveis, incluindo confirmações, casos em análise e inconclusivos.
Já nos quatro primeiros meses de 2026, o município contabilizou 853 notificações, com 264 casos prováveis. No mesmo período do ano anterior, haviam sido registradas 871 notificações, sendo 210 classificadas como prováveis.
Também participaram das discussões a chefe da Atenção Primária à Saúde, Verônica Cavalcante, a coordenadora do Ambulatório de Infectologia, Lívia Valverde, e a coordenadora do Centro de Endemias, Priscila Soares, além de outros profissionais da rede municipal de saúde.