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Lula defende educação e critica ataques às universidades durante Fórum Brasil-África

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Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (25), durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, que a educação é essencial para combater desigualdades sociais e fortalecer a consciência crítica da população. O evento aconteceu no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) e reuniu representantes de universidades brasileiras e africanas ligados à Associação das Universidades Africanas (AAU).

Durante o discurso, Lula declarou que setores da extrema direita enxergam a educação como ameaça justamente por ela estimular pensamento crítico e autonomia intelectual. Segundo o presidente, em diferentes partes do mundo há tentativas de enfraquecer universidades, silenciar professores e limitar a diversidade dentro das instituições de ensino.

O chefe do Executivo também relacionou a educação ao enfrentamento de problemas globais, como fome, mudanças climáticas, transição energética, democratização da inteligência artificial e integração econômica entre países. Os temas foram apresentados anteriormente durante a Cúpula de Líderes Celac-África, realizada em Bogotá.

Inteligência Artificial e “colonialismo digital”

Ao abordar tecnologia, Lula alertou para o risco do chamado “colonialismo digital”, afirmando que algoritmos controlados por poucos países e empresas podem se tornar ferramentas de dominação. O presidente defendeu investimentos em infraestrutura digital e destacou a importância de desenvolver modelos de inteligência artificial também em línguas africanas.

Segundo ele, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê linhas de financiamento voltadas à cooperação entre Brasil, África e América Latina. O programa destina US$ 20 milhões para projetos conjuntos e mais US$ 10 milhões para uso de estruturas brasileiras de IA em pesquisas colaborativas.

Parcerias entre universidades

O secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, Olusola Oyewole, destacou que o apoio brasileiro às universidades africanas começou ainda no primeiro mandato de Lula, inicialmente com bolsas de estudo e posteriormente com projetos de pesquisa compartilhados.

Ele ressaltou a necessidade de “descolonizar” currículos acadêmicos e fortalecer a produção científica dentro do continente africano, defendendo maior cooperação internacional com países como o Brasil.

Programa prevê bolsas para estudantes africanos

Durante o encontro, foram assinados acordos ligados ao programa Capes Move África, que prevê investimento de R$ 47,4 milhões para trazer cerca de 2,6 mil estudantes africanos de pós-graduação ao Brasil a partir de 2027.

Do total de bolsas previstas, 1,6 mil serão destinadas a mestrado sanduíche e outras 1 mil para doutorado sanduíche, modalidade em que parte da pesquisa é realizada em outra instituição parceira.

Objetivo do fórum

O Fórum de Reitores Brasil-África busca fortalecer a educação superior como eixo estratégico da relação entre o Brasil e os países africanos. A programação inclui painéis temáticos, workshops, reuniões bilaterais e debates voltados à criação de novas parcerias acadêmicas e científicas.

As cooperações previstas envolvem áreas consideradas estratégicas, como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, setor aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.

De acordo com o Palácio do Planalto, o Brasil mantém atualmente 235 acordos de cooperação com instituições de ensino superior de 38 países africanos.

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