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Trump sinaliza abertura para acordo com Cuba mesmo após endurecer pressão sobre a ilha

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Alex Brandon-Pool

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (19) que acredita na possibilidade de um entendimento diplomático com Cuba, mesmo sem uma eventual mudança no regime político do país caribenho.

Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump declarou que Havana estaria buscando apoio dos norte-americanos em meio à grave crise enfrentada pela ilha. Segundo ele, Cuba necessita de ajuda urgente e Washington estaria disposto a colaborar.

Apesar do discurso mais conciliador, o governo dos EUA mantém críticas severas ao sistema comunista cubano, que continua sendo apontado pela administração republicana como corrupto e ineficiente. A Casa Branca também segue defendendo mudanças políticas profundas no país.

Nos últimos meses, Trump ampliou a pressão econômica contra Cuba com medidas que atingiram diretamente o abastecimento de petróleo da ilha. O bloqueio agravou a crise energética e intensificou o racionamento de combustível em várias regiões cubanas.

A última grande remessa de petróleo recebida pelo país veio da Rússia. O navio-tanque Anatoly Kolodkin entregou aproximadamente 700 mil barris no fim de março, volume considerado suficiente para apenas duas semanas de consumo da população cubana, estimada em cerca de 10 milhões de habitantes.

Crise energética e tensão diplomática aumentam

A situação econômica cubana se deteriorou ainda mais após o endurecimento das sanções norte-americanas e das restrições ao envio de combustível para a ilha. A crise ganhou força depois da prisão do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro.

Com a escassez de combustível, os apagões passaram a afetar grande parte do território cubano. Em algumas localidades, moradores têm acesso à energia elétrica por apenas uma ou duas horas por dia.

O clima diplomático entre os dois países também piorou após surgirem informações de que o governo Trump avalia denunciar formalmente Raúl Castro pelo episódio ocorrido em 1996, quando aeronaves do grupo humanitário Brothers to the Rescue foram abatidas por Cuba.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, reagiu afirmando que Cuba possui o direito legítimo de se defender contra ameaças externas, conforme previsto na Carta das Nações Unidas.

Moradores de Havana também demonstram preocupação com o agravamento das tensões. O cubano Ulises Medina, de 58 anos, defendeu uma solução baseada no diálogo entre os dois países, afirmando que nem Cuba nem os Estados Unidos deveriam recorrer a ações militares.

Um possível indiciamento de Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e figura histórica da Revolução Cubana de 1959, é visto por analistas como mais um passo no endurecimento da política norte-americana contra Havana.

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