Feira de Santana

Maio Laranja mobiliza Rede de Proteção em defesa de crianças e adolescentes em Feira de Santana

Publicado

em

Ney Silva

A campanha Maio Laranja ganhou reforço em Feira de Santana nesta segunda-feira (18), com uma mobilização promovida pela Polícia Civil da Bahia para conscientizar a população sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A ação foi realizada pela Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), no estacionamento da Prefeitura Municipal, reunindo representantes das forças de segurança e órgãos de proteção social.

O coordenador regional da Polícia Civil, o delegado Rafael Almeida, participou do ato e destacou que grande parte dos casos ainda deixa de ser denunciada devido à falta de informação das famílias. Segundo ele, muitos crimes acontecem dentro do próprio ambiente doméstico, praticados por pessoas próximas das vítimas.

De acordo com o delegado, o fato de a criança estar em casa não significa necessariamente que ela esteja protegida. Ele alertou que parentes, conhecidos e adultos com acesso frequente à convivência familiar aparecem entre os principais suspeitos em ocorrências desse tipo de violência.

Durante a mobilização, também foi reforçada a importância das denúncias, que podem ser feitas pelo Disque 100, em unidades policiais, Conselhos Tutelares e serviços de saúde. Rafael Almeida chamou atenção para os sinais comportamentais apresentados por crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

Segundo ele, mudanças repentinas no comportamento podem indicar sofrimento psicológico. Crianças que deixam de brincar, passam a se isolar ou demonstram alterações emocionais precisam de atenção imediata da família e da escola.

Diferença entre abuso e exploração sexual

O delegado explicou ainda a diferença entre abuso e exploração sexual infantil. Conforme detalhou, a exploração sexual envolve obtenção de lucro ou vantagem por parte do criminoso, enquanto o abuso pode ocorrer em diferentes ambientes, inclusive dentro de casa ou em instituições frequentadas pela vítima.

Ele ressaltou que muitas crianças não conseguem compreender que estão sendo vítimas de violência, principalmente quando o agressor é alguém de confiança. Em alguns casos, o entendimento do abuso só ocorre anos depois, na adolescência ou fase adulta.

Outro ponto destacado foi o papel das escolas na prevenção e identificação de casos. Para o delegado, o ambiente escolar pode se tornar um espaço seguro para que crianças e adolescentes relatem situações de violência.

Segundo ele, ações educativas ajudam as vítimas a reconhecer comportamentos inadequados, identificar situações de risco e buscar ajuda mais rapidamente.

Sedeso reforça importância da denúncia

A secretária municipal de Desenvolvimento Social, Gerusa Sampaio, também participou da mobilização e defendeu que o enfrentamento à violência sexual infantil aconteça de forma permanente, não apenas durante o Maio Laranja.

Ela destacou que muitos casos de abuso e exploração acontecem dentro da própria residência das vítimas, o que torna ainda mais necessária a participação da sociedade na quebra do silêncio.

Gerusa Sampaio ressaltou ainda que os equipamentos da assistência social, como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), estão disponíveis para acolhimento e recebimento de denúncias.

Segundo a secretária, o aumento no número de denúncias pode representar maior conscientização da população e fortalecimento da rede de proteção. Durante todo o mês de maio, a Prefeitura e os órgãos parceiros irão promover caminhadas, panfletagens, blitzes educativas e outras ações de conscientização em Feira de Santana.

Ela afirmou que o objetivo das atividades é ampliar o debate sobre a proteção de crianças e adolescentes, incentivar denúncias e garantir acompanhamento psicológico, social e jurídico às vítimas.

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