A perícia reconheceu que Bolsonaro possui múltiplas comorbidades, como hipertensão arterial, apneia grave do sono, obesidade, aterosclerose e refluxo gastroesofágico. Apesar da complexidade do quadro clínico, os peritos concluíram que não há indicação, no momento, de internação hospitalar, já que as condições estão controladas com acompanhamento médico e uso regular de medicamentos.
Segundo Moraes, mesmo diante das doenças crônicas, o ambiente prisional oferece suporte suficiente para o tratamento necessário, não se justificando a concessão de prisão domiciliar.
Rotina diária inclui caminhadas, fisioterapia e leitura
O documento descreve uma rotina ativa dentro da unidade prisional. No período analisado, foram registradas:
-
33 caminhadas, incluindo percursos diários de cerca de 1 km;
-
13 sessões de fisioterapia com profissional particular;
-
36 visitas, sendo 29 dias com atendimento de advogados;
-
serviços de capelania em quatro ocasiões.
Bolsonaro também recebe acompanhamento de seu médico particular, Dr. Brasil Caiado. Conforme o relatório, ele costuma dormir por volta das 22h, acordar às 5h e levantar-se efetivamente às 8h, dedicando parte da manhã à leitura. Em janeiro, o STF autorizou a leitura de livros para remição de pena, entre eles Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva, e Democracia, de Philip Bunting.
Laudo aponta melhora do sono e ressalvas sobre alimentação
Os peritos descrevem o ex-presidente como lúcido, orientado e com memória preservada. Houve melhora de aproximadamente 80% na qualidade do sono após o início do uso do CPAP no tratamento da apneia obstrutiva.
Em relação ao refluxo gastroesofágico, o laudo destaca que o repouso logo após o almoço e a ausência de controle de peso reduzem a eficácia do tratamento. A avaliação nutricional apontou consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e açúcares, além de baixa ingestão de frutas, verduras e hortaliças, embora a unidade prisional tenha condições de oferecer dieta adequada e acompanhamento contínuo.
Estrutura de saúde da unidade prisional
Mesmo sem ambulatório próprio, o batalhão conta com médico designado em parceria com a Secretaria de Saúde do DF e uma Unidade de Saúde Avançada do SAMU, com enfermeiro disponível 24 horas. Quando necessário, atendimentos ambulatoriais podem ser realizados no Centro de Internação e Reeducação (CIR), localizado a cerca de 3 quilômetros.
A perícia concluiu que todas as doenças estão sob controle clínico e medicamentoso, sem necessidade de transferência hospitalar.
Visitas políticas e atividade pública pesaram na decisão
Moraes também destacou o número elevado de visitas recebidas por Bolsonaro, incluindo parlamentares, governadores e aliados políticos. Entre eles esteve o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para o ministro, esse fluxo intenso de visitas evidencia preservação da condição física e mental do ex-presidente.
No último fim de semana, aliados divulgaram cartas escritas por Bolsonaro, nas quais ele mencionou planos de divulgar pré-candidatos do Partido Liberal (PL) ao Senado e defendeu a união do campo conservador, além de comentar críticas dirigidas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a outros aliados.
Prisão domiciliar humanitária foi negada
Ao negar o pedido da defesa, Moraes afirmou que a prisão domiciliar humanitária é uma medida excepcional e só se aplica quando o tratamento médico não pode ser garantido no sistema prisional — situação que, segundo o laudo, não ocorre neste caso. A decisão também citou episódios anteriores de descumprimento de medidas cautelares e tentativas de fuga como fatores adicionais para manter o regime fechado.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, por tentativa de golpe de Estado.