Em uma carta escrita na Penitenciária Federal de Campo Grande em 25 de setembro do ano passado, Marcinho VP afirmou que o filho, o rapper Oruam, cometeu erros e deve responder judicialmente por suas próprias atitudes. Preso no sistema penitenciário federal desde 2007, Marcinho comentou as acusações que recaem sobre o artista, que é réu por duas tentativas de homicídio contra policiais civis.
Oruam passou a ser considerado foragido após a revogação de um habeas corpus e o restabelecimento de sua prisão preventiva. Além das tentativas de homicídio, ele responde por crimes de resistência, desacato, ameaça e dano qualificado.
A correspondência foi enviada ao advogado Siro Darlan. No texto, Marcinho demonstrou pesar pela situação enfrentada pelo filho, mas reconheceu falhas de conduta. Segundo ele, apesar do sofrimento como pai, o rapper deixou de se vigiar e acabou se envolvendo em problemas.
Marcinho também defendeu que o filho seja responsabilizado apenas pelos atos efetivamente praticados, criticando o que classificou como acusações excessivas. Ele afirmou manter confiança no Judiciário e disse estar tranquilo quanto ao desfecho do processo.
Em outro trecho da carta, o pai relembrou a criação dos filhos e descreveu Mauro — nome de batismo do rapper — como um jovem educado, obediente e humilde. Para Marcinho, a fama teria contribuído para que o artista “tirasse os pés do chão” e se desviasse.
Apesar do cenário judicial, Marcinho declarou acreditar que o filho pode sair mais forte da prisão. Ele ressaltou que Oruam não é criminoso, mas um artista talentoso, compositor e cantor capaz de mobilizar grandes públicos, e afirmou que, com maturidade, o rapper pode retornar ainda mais relevante à carreira musical.
Todas as cartas produzidas por internos do sistema penitenciário federal passam por leitura prévia de servidores antes de serem encaminhadas aos destinatários.
Defesa apresenta laudo psiquiátrico à Justiça
A defesa de Oruam protocolou junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro um laudo médico apontando transtornos psiquiátricos. O documento informa que o rapper está em acompanhamento especializado.
Segundo o jornal Extra, o relatório médico indica um quadro compatível com transtorno de ansiedade associado a transtorno depressivo moderado, reforçando a necessidade de acompanhamento contínuo durante o processo judicial.