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Política

Quebra de sigilos expõe conexões políticas de Daniel Vorcaro em Brasília

SVT Brasil

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FOTOS REPRODUÇÃO DA INTERNET

A quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, trouxe à tona a amplitude de suas relações institucionais em Brasília. Documentos encaminhados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS reúnem dados extraídos da agenda telefônica do empresário, com registros de autoridades do Judiciário, do Legislativo e do Executivo.

De acordo com o material analisado, a lista de contatos inclui pelo menos três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cinco senadores e cerca de 20 deputados federais. Os registros não indicam, contudo, a existência de ligações realizadas ou troca de mensagens. Entre os nomes identificados está o do ministro Dias Toffoli, relator no STF de apurações que envolvem suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Toffoli foi alvo de questionamentos recentes após determinar o sigilo das investigações e suspender o acesso da CPMI aos dados obtidos com a quebra dos sigilos de Vorcaro, como informações financeiras e comunicações. Por decisão do ministro, o material permaneceu sob custódia da Presidência do Senado, à espera de nova avaliação do Supremo.

A medida provocou reação do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que avaliou a decisão como um fator de enfraquecimento das investigações e de aumento da desconfiança pública. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também aparece entre os contatos registrados no telefone do banqueiro.

Foi no Senado que, em 2024, tramitou uma proposta legislativa que poderia beneficiar diretamente o Banco Master. Na ocasião, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central, com o objetivo de elevar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A alteração beneficiaria aplicações como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), principal produto do banco, mas a iniciativa não avançou.

Além de Toffoli, constam na agenda de Vorcaro os ministros Alexandre de Moraes, que não comentou o caso, e Kassio Nunes Marques. Este último declarou não manter qualquer vínculo com o empresário e afirmou que seu número telefônico é público desde sua sabatina no Senado, em 2020.

No âmbito do Congresso, aparecem ainda o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Lira afirmou não ter relação com Vorcaro, mencionando apenas encontros de caráter institucional. Motta não se manifestou. Também figura entre os contatos o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Daniel Vorcaro é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de crimes contra o sistema financeiro e fraudes na liberação de créditos. O banqueiro chegou a ficar preso por nove dias e atualmente responde em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica. As investigações indicam possíveis irregularidades em uma operação estimada em R$ 12,2 bilhões envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), que teria sido estruturada para contornar mecanismos de fiscalização do Banco Central.

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