O processo envolvendo o jornalista Marcelo Castro, acusado de se apropriar de doações destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade, teve um novo adiamento. Mesmo após dois anos das primeiras denúncias, o julgamento foi remarcado para maio do próximo ano, reacendendo o caso. A repercussão motivou algumas das vítimas a relatarem suas experiências ao programa “Domingo Espetacular”, exibido no domingo (16/11), que detalhou como operava o esquema investigado pela Record.
Como funcionava o desvio das doações
A reportagem revelou que Castro e ex-colegas teriam desviado 75% de todos os valores arrecadados em campanhas realizadas para 12 famílias ao longo de um período de um ano e cinco meses. Segundo a investigação interna da emissora, participavam do esquema o jornalista, o editor Jamerson Birindiba, o operador Lucas Costas Santos e nove laranjas.
No total, as campanhas movimentaram mais de R$ 543 mil, mas cerca de R$ 407 mil teriam sido desviados — valor equivalente a 75% de tudo o que foi arrecadado. Castro e Jamerson seriam os responsáveis por ficar com a maior parte do dinheiro, de acordo com a apuração.
Relatos das vítimas
Caso Miguel – apenas R$ 10 mil entregues
Uma das vítimas é Jucileide Souza de Jesus, mãe de Miguel, jovem de 17 anos que faleceu há seis meses em consequência de leucodistrofia. O filho necessitava de uma cadeira de rodas especial, e por isso foi incluído em um quadro apresentado por Marcelo Castro no Balanço Geral Bahia, que solicitava contribuições do público.
A investigação concluiu que foram arrecadados R$ 45 mil em nome de Miguel, mas somente R$ 10 mil chegaram à mãe.
Caso Augusto Cesar – pedido para forçar cenas emocionais
Outra vítima, Lucileide Maria, contou que a matéria envolvendo seu filho, Augusto Cesar, de 21 anos, tinha o objetivo de levantar recursos para a compra de um triciclo motorizado, já que o jovem enfrenta limitações devido a complicações de hidrocefalia. Ela relatou que, durante as gravações, Castro pediu que chorasse diante das câmeras e que deixasse o filho se arrastar no chão para intensificar o apelo emocional.
A campanha teria reunido R$ 30 mil, mas a família recebeu apenas R$ 6 mil.
Situação atual dos investigados
Após a apuração interna, os três profissionais envolvidos foram demitidos por justa causa e agora respondem judicialmente por apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Record também move processos contra eles.
As defesas dos acusados não comentaram sobre o caso.