O analista de comunicação e marketing político Marcelo Vitorino avalia que a prisão domiciliar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), pode provocar uma forte reação popular entre seus apoiadores.
A medida foi decretada após Moraes acusar Bolsonaro de descumprir restrições judiciais, utilizando redes sociais de aliados e familiares para difundir mensagens consideradas como incentivo a ataques contra o STF e apoio a uma suposta intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro.
Reação pode superar mobilização de 2018
Vitorino acredita que a resposta dos apoiadores de Bolsonaro será mais intensa do que a registrada em 2018, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi preso.
“No caso de Lula, houve expectativa de uma grande paralisação no país, mas a mobilização foi menor do que se imaginava. Já com Bolsonaro, existe uma base organizada que trabalha para reforçar a imagem dele como vítima de perseguição”, analisou o especialista.
Estratégias que poderiam ter fortalecido a base
Segundo o analista, Bolsonaro teria potencial para consolidar ainda mais sua militância se tivesse adotado outras posturas políticas, como manter-se no Brasil após a derrota eleitoral, enfrentar diretamente Alexandre de Moraes e se posicionar de forma mais clara em defesa de seus apoiadores.
Vitorino comparou a postura de Lula, que, em seu caso, confrontou diretamente o então juiz Sérgio Moro, mantendo sua militância ativa.
Próximos passos serão decisivos
O especialista ressalta que o impacto político da prisão domiciliar dependerá das atitudes de Bolsonaro nos próximos dias.
“Se ele, por exemplo, pedisse publicamente ao ex-presidente Donald Trump que não sancionasse o Brasil, mesmo sob alegação de perseguição judicial, isso poderia agregar força à sua narrativa e ampliar seu apoio popular”, concluiu Vitorino.