Política

Lula critica silêncio dos EUA e cobra diálogo com Trump sobre tarifas contra o Brasil

Publicado

em

FOTOS: REPRODUÇAO DA INTERNET

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a postura do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, diante das tentativas brasileiras de iniciar um diálogo sobre o novo pacote tarifário imposto ao Brasil. Em entrevista ao jornal The New York Times, publicada nesta quarta-feira (30), Lula afirmou que seu governo tem buscado contato com Washington, mas sem sucesso.

“Estamos tentando estabelecer um canal de diálogo, mas ninguém responde. Solicitei pessoalmente que houvesse esse contato”, declarou o chefe do Executivo.

Segundo o presidente, além dele, autoridades brasileiras de alto escalão foram acionadas para conversar com seus equivalentes norte-americanos. “Encaminhei meu vice-presidente, o ministro da Agricultura e o ministro da Economia para estabelecerem contato direto. Até agora, não conseguimos nenhuma abertura”, lamentou.

Essa foi a primeira entrevista concedida por Lula ao New York Times desde 2011. O conteúdo, traduzido para o inglês, foi divulgado também pela Presidência da República.

Tarifas entram em vigor nesta sexta-feira

As medidas adotadas por Trump, que preveem uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, começam a valer já nesta sexta-feira (1º), caso não haja mudanças. Durante a entrevista, Lula reforçou que o Brasil não aceitará conduzir as negociações de forma submissa. “Não vamos tratar esse tema como se fôssemos um país pequeno enfrentando um gigante. Queremos um entendimento equilibrado”, frisou.

O presidente também foi questionado sobre críticas anteriores que fez ao líder norte-americano. Lula já havia chamado Trump de “imperador” e condenou o que considera atitudes autoritárias. “Não é correto ameaçar pessoas pelas redes sociais”, disse.

Apesar do tom crítico, Lula afirmou que o Brasil está preocupado, mas não intimidado. “Reconhecemos a força econômica, militar e tecnológica dos Estados Unidos, mas isso não significa que vamos abaixar a cabeça”, garantiu.

Diplomacia e política não devem se misturar

Lula deixou claro que espera uma retomada do bom senso nas relações entre os dois países. Ele rejeitou a mistura entre disputas políticas e negociações comerciais. “Se Trump quer discutir política, estamos prontos. Se quer falar de comércio, também estamos prontos. Mas não dá para misturar as duas coisas”, disse.

De acordo com o presidente, mesmo com mais de 10 reuniões realizadas entre representantes brasileiros e membros do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a Casa Branca continua em silêncio. “Espero que o bom senso volte a prevalecer. O tom da carta enviada por Trump mostra que ele não está disposto ao diálogo”, afirmou.

Lula finalizou dizendo que o Brasil seguirá defendendo sua soberania e buscando uma solução diplomática para a questão tarifária. “Negociações internacionais exigem equilíbrio. Não se resolve nada gritando ou se rendendo. É preciso encontrar o meio-termo.”

Tendência

Sair da versão mobile