O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial (USTR), abriu oficialmente uma investigação contra o Brasil. O motivo, segundo comunicado emitido na terça-feira (15), é a suspeita de que o país adote medidas que favorecem empresas nacionais em detrimento das americanas, especialmente no setor de pagamentos digitais, como o Pix.
De acordo com o documento, o Brasil estaria praticando atos discriminatórios no comércio eletrônico e oferecendo vantagens indevidas a sistemas desenvolvidos internamente, o que prejudicaria diretamente a competitividade de empresas dos EUA.
Rosana Valle responsabiliza Lula
A deputada Rosana Valle (PL) apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como responsável pelo desgaste nas relações com os EUA. Segundo ela, a crise foi agravada por uma condução ideológica da política externa.
“Não se trata de defender o tarifaço, mas não podemos jogar a culpa no governo anterior. Essa é uma consequência direta das ações do presidente Lula”, declarou à CNN.
Ela também criticou a campanha do PT para ressignificar o uso das cores verde e amarela, tradicionalmente associadas ao bolsonarismo:
“É mais uma tentativa de transformar um problema sério em disputa política.”
Bohn Gass culpa Trump e defende Lula
Já o deputado Bohn Gass (PT) atribuiu a ofensiva americana ao ex-presidente Donald Trump e às ações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que esteve recentemente nos EUA para encontros políticos.
“A movimentação de Trump tem objetivos claros: manter a influência americana e proteger os interesses das empresas dos EUA, mesmo que à custa de aliados”, disse Gass. Ele ainda criticou a inclusão do Pix na disputa: “Não faz sentido, a menos que estejam querendo proteger os serviços americanos de pagamento.”
Gass elogiou a postura do governo brasileiro diante do aumento tarifário:
“A resposta tem sido firme. Se não houver solução pela diplomacia, o Brasil pode agir com reciprocidade.”
O deputado ainda fez duras críticas ao uso político das cores nacionais pela direita e citou até o nazismo:
“Hitler também manipulava símbolos nacionais para construir imagens falsas. A extrema-direita faz o mesmo com o verde e amarelo.”
Ponto a ponto: o que os EUA estão investigando
A investigação americana, baseada na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, avaliará se o Brasil está comprometendo o comércio americano com práticas consideradas “irracionais ou discriminatórias”. Veja os principais alvos da apuração:
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Pagamentos digitais: Acusações de favorecimento ao Pix e barreiras a empresas de tecnologia estrangeiras;
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Tarifas preferenciais: Denúncia de que o Brasil aplica tarifas mais baixas a parceiros estratégicos em detrimento dos EUA;
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Combate à corrupção: Críticas à falta de transparência e fiscalização eficaz contra o suborno;
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Propriedade intelectual: Alegações de falhas na proteção de patentes, marcas e direitos autorais;
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Etanol: Queixas sobre o aumento das tarifas impostas ao etanol americano, antes quase isento;
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Desmatamento ilegal: Preocupação com a falta de controle efetivo sobre a destruição da floresta, o que impactaria exportadores dos EUA.
O embaixador Jamieson Greer afirmou que a ação tem como objetivo defender empresas e trabalhadores americanos afetados por práticas brasileiras. Ele declarou:
“Estamos agindo sob orientação do presidente Trump para proteger os interesses estratégicos dos EUA contra essas barreiras.”
Próximos passos
O USTR solicitou que o governo brasileiro apresente explicações formais. Uma audiência pública está marcada para 3 de setembro, e os interessados devem enviar seus comentários até 18 de agosto.
A disputa promete tensionar ainda mais as relações entre os dois países em um momento já sensível da diplomacia brasileira.