O alpinista indonésio Agam, que se voluntariou no resgate da brasileira Juliana Marins no Monte Rinjani, relatou os momentos de tensão e perigo enfrentados durante a operação. Ele e seu colega Tyo, também guia local, sabiam que corriam risco de vida a cada passo. “Podíamos cair a qualquer momento”, declarou.
Durante uma transmissão ao vivo no Instagram, Agam compartilhou os detalhes da missão com a ajuda de uma tradutora que falava português. Segundo ela, os resgatistas enfrentaram deslizamentos de pedras, instabilidade no solo e cordas se desprendendo. Apesar das adversidades, o grupo seguiu determinado. “Foi só por misericórdia de Deus que eles sobreviveram”, afirmou a tradutora.
A ancoragem das cordas estava comprometida e a queda de temperatura agravava a situação. “Ele contou que, se chovesse mais um pouco, todos teriam morrido”, disse a intérprete. Ao constatarem o óbito de Juliana, os voluntários permaneceram a noite inteira ao lado do corpo, presos a uma parede rochosa instável, até a chegada da equipe de remoção.
Agam alcançou o local já no escuro e segurou o corpo da jovem durante a madrugada, garantindo que não deslizasse. Foram 15 horas de trabalho contínuo, sob frio intenso, com visibilidade limitada a apenas cinco metros e sem alimentação adequada.
Desde o início, Agam declarou que só deixaria a montanha quando Juliana também fosse retirada. Apesar de não terem conseguido salvá-la, ele e os demais voluntários ganharam o reconhecimento dos brasileiros, que lotaram suas redes sociais com mensagens de apoio e gratidão. Em poucas horas, seu perfil ultrapassou 800 mil seguidores.
A família de Juliana, por meio de nota, também agradeceu aos voluntários. “Foi graças à dedicação de vocês que tivemos a chance de uma despedida. Se tivessem chegado antes, talvez o final fosse outro”, escreveram.
Apoio financeiro e reconhecimento
Durante a live, seguidores pediram uma vaquinha para ajudar Agam financeiramente. Inicialmente relutante, ele cedeu e forneceu os dados bancários, com a promessa de dividir os recursos com os colegas e investir em projetos de reflorestamento na Indonésia.
“Ele agradeceu do fundo do coração, pediu desculpas por não ter conseguido trazê-la de volta e garantiu que fez o melhor possível”, disse a tradutora. Internautas o chamaram de “combatente humanitário”, destacando que o verdadeiro reconhecimento deveria ir para ele, e não para o governo local.
Críticas às autoridades
O perfil da irmã de Juliana fez duras críticas às autoridades indonésias. Segundo ela, o parque onde ocorreu o acidente permaneceu aberto mesmo após a tragédia. Juliana estava em viagem pela Ásia desde fevereiro, passando por países como Filipinas, Vietnã e Tailândia.
Ela fazia a trilha com um grupo e um guia local quando, no segundo dia, sentiu-se exausta. O guia sugeriu que ela descansasse e seguiu sozinho até o cume, deixando-a para trás. Em pânico e sozinha, Juliana caiu. “Abandonaram Juliana”, escreveu a irmã em rede social.