Após a rejeição expressiva do Congresso ao decreto que elevava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca reabrir canais de diálogo com os presidentes das duas Casas Legislativas. A estratégia do Planalto agora é contornar a crise institucional e reorganizar a base aliada que se desfez na votação.
Segundo fontes do governo, Lula deve entrar em contato com Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e em seguida com Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, para tentar retomar a articulação política. A decisão ocorre após o governo enfrentar sua maior derrota no Congresso neste terceiro mandato.
Paralelamente à articulação política, o governo avalia acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a decisão do Legislativo. A alegação é que o decreto presidencial não ultrapassou os limites constitucionais, o que, segundo a equipe jurídica do Planalto, tornaria a anulação pelo Congresso inválida.
A derrota na Câmara dos Deputados foi significativa: 383 parlamentares votaram contra o decreto, superando os 346 que já haviam se manifestado contrários durante a votação de urgência — um aumento de 37 votos.
No Senado, embora a votação tenha sido simbólica, a expectativa do governo era ainda pior. Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo na Casa, decidiu não pedir verificação de quórum após avaliar que o placar seria amplamente desfavorável. Davi Alcolumbre relatou a aliados que 65 senadores estavam prontos para derrubar o decreto, enquanto apenas 15 o apoiariam.
Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, queria forçar a votação nominal, mas foi convencido a recuar. Ao final da sessão, Jaques Wagner buscou minimizar a crise, dizendo que “a vida segue” e reforçando a necessidade de diálogo com os parlamentares.
Alcolumbre, por sua vez, criticou a condução da medida pelo governo e afirmou que o decreto começou mal e terminou pior. Ele ressaltou que o Executivo ignorou os sinais claros de que o Congresso não apoiaria um novo aumento de impostos.