O mercado financeiro reagiu nesta quinta-feira (20) à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic, resultando na alta do dólar frente ao real e na queda do Ibovespa após seis sessões consecutivas de ganhos.
Cenário do mercado financeiro
O dólar comercial fechou com alta de 0,49%, cotado a R$ 5,6763, encerrando uma sequência de sete sessões seguidas de desvalorização. Por outro lado, o Ibovespa recuou 0,38%, atingindo 132.007,88 pontos, influenciado por realização de lucros e pelo desempenho negativo de ações como as da Embraer, enquanto Minerva teve forte valorização após resultados positivos e perspectivas de redução da dívida.
Decisão do Copom e impactos
O Copom anunciou um aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic, elevando-a para 14,25% ao ano. O comunicado do Comitê reforçou que futuras decisões dependerão da convergência da inflação à meta, indicando uma alta menor na próxima reunião.
Especialistas apontam que a continuidade do aperto monetário favorece o real, pois amplia o diferencial de juros em relação a outras economias, tornando o Brasil mais atraente para o capital estrangeiro. Contudo, o mercado demonstrava incerteza sobre os próximos passos do Banco Central antes do anúncio.
Segundo Leonel Mattos, analista da StoneX, a decisão do Copom trouxe uma sinalização mais clara sobre os próximos passos da política monetária. “A expectativa de nova alta na Selic pode contribuir para o aumento do diferencial de juros, fortalecendo o real”, afirmou.
Repercussão e declarações
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou a decisão e reforçou que a taxa atual da Selic está elevada, defendendo que o controle da inflação deve ocorrer em conjunto com o crescimento sustentável da economia.
Para Anderson Silva, da GT Capital, a queda do Ibovespa reflete a realização de lucros dos investidores após uma série de valorizações recentes. “O momento também traz incerteza sobre a eficácia da política monetária, especialmente diante de algumas medidas do governo”, avaliou.
Influência do cenário internacional
O fortalecimento global do dólar também influenciou o mercado brasileiro, com investidores reagindo à decisão do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. O Fed manteve os juros entre 4,25% e 4,50%, mas indicou a possibilidade de redução de 0,50 ponto percentual até o final do ano, apesar da projeção de um crescimento econômico mais lento.
Antes da reunião, operadores do mercado futuro esperavam pelo menos dois cortes de juros nos EUA este ano, com chances de uma terceira redução. A incerteza sobre o impacto da política monetária americana aumentou a volatilidade nos mercados globais, refletindo-se também no Brasil.
Perspectivas
O mercado continuará monitorando os desdobramentos da política monetária tanto no Brasil quanto no exterior, enquanto investidores aguardam os balanços trimestrais de empresas como Automob, Brava Energia, Cemig, Cyrela, Eneva, Hypera e Petz, divulgados após o fechamento do pregão.