A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) determinou, na última terça-feira (11), a suspensão das operações da Voepass. A decisão ocorre meses após o trágico acidente do dia 9 de agosto de 2024, quando um ATR-72-500 da companhia caiu sobre Vinhedo, no interior de São Paulo, resultando na morte de 62 pessoas.
Fatores que Levaram à Queda da Aeronave
Menos de um mês após o desastre, o Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) divulgou um relatório preliminar com indícios das causas do acidente. Segundo o documento, o voo enfrentou intensa formação de gelo em altitudes típicas dos modelos ATR. No entanto, a aeronave não desceu para reduzir o acúmulo, como recomendado. Além disso, os sistemas de degelo falharam, comprometendo a estabilidade e resultando na perda de sustentação.
O acidente chamou atenção por ocorrer em um fenômeno raro na aviação comercial conhecido como “parafuso chato”, no qual o avião gira descontroladamente enquanto perde altitude.
Relatos de um Mecânico da Voepass
Um mecânico que trabalhou na Voepass antes e após o acidente revelou, em entrevista exclusiva ao programa Fantástico, problemas estruturais na manutenção da companhia. Segundo ele, a empresa enfrentava dificuldades no fornecimento de materiais, componentes e ferramentas essenciais para o reparo das aeronaves.
Declarações do Mecânico:
- “A Voepass não oferece suporte adequado para manutenção. Passei por grandes companhias e, quando cheguei lá, senti uma diferença muito grande.”
- “Quando soubemos da queda, já esperávamos algo assim. O ‘Papa Bravo’ [apelido da aeronave] sempre apresentava problemas. Relatamos diversas falhas, mas éramos pressionados a manter o avião em operação.”
- “Após o acidente, nada mudou na manutenção. Pelo contrário, a situação parece ter piorado.”
Práticas Irregulares na Frota
Imagens obtidas pelo Fantástico em dezembro mostraram aeronaves estacionadas em uma área de matagal na sede da empresa, em Ribeirão Preto. O mecânico afirmou que essas aeronaves eram desmontadas para fornecer peças a outras em operação, uma prática conhecida como “canibalização”. Embora legal quando feita de maneira regulamentada, ele alega que a Voepass realizava o procedimento de forma inadequada.
Além disso, segundo ele, alguns aviões foram cobertos com lonas para esconder sua condição da ANAC antes de uma vistoria.
Posicionamento da Voepass
A Voepass afirmou, em nota oficial, que pretende retomar suas atividades em breve e que sempre priorizou a segurança ao longo de seus 30 anos de operação. A companhia destacou que o relatório do CENIPA confirmou a certificação válida da aeronave acidentada e que todos os sistemas estavam em funcionamento no momento do voo.
Sobre as denúncias, a empresa defendeu a legalidade da reutilização de componentes entre aeronaves, desde que certificada e rastreável. Também negou qualquer tentativa de burlar fiscalizações e reafirmou o cumprimento de todos os protocolos regulatórios.